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sexta-feira, 21 de junho de 2019

Recado do secretário Jefferson Portela e ameaça do deputado Aluísio Mendes formam barril de pólvora que pode explodir na Câmara Federal

Ganhou formato de barril de pólvora com rastilho aceso o depoimento que o secretário de Estado de Segurança Pública, Jefferson Portela, e os delegados Tiago Bardal e Ney Anderson Gaspar prestarão na Câmara Federal sobre a denúncia, feita por deputados ligados ao Grupo Sarney – entre eles o autor da convocação, Aloísio Mendes (Podemos), que foi secretário no último Governo de Roseana Sarney (MDB) -, de que o atual comando do Sistema Estadual de Segurança Pública teria interceptado ilegalmente ligações telefônicas de magistrados e políticos maranhenses. 

O tal grampo ilegal, que até agora não foi comprovado, teria sido denunciado por Tiago Bardal, ex-titular da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) e preso sob a acusação de chefiar no Maranhão o braço de uma quadrilha internacional de contrabando, e Ney Anderson, também envolvido no caso e apontado como tendo comportamento instável devido a problemas de natureza emocional, ambos acusando o secretário de Segurança Pública   de realizar a tal escuta. 

Jefferson Portela reagiu duro, afirmando que se trata de um esquema tramado pelos três para tentar atingir o Governo Flávio Dino. O secretário classificou os três como “bandidos”, “covardes” e “mentirosos”.
Quando requereu o depoimento na Câmara Federal, o deputado Aloísio Mendes listou apenas os delegados Tiago Bardal e Ney Anderson, o que, se confirmado, seria apenas uma sessão de acusação. Diante da estratégia, deputados da base do governador Flávio Dino (PCdoB) exigiram a inclusão do secretário Jefferson Portela na relação dos convocados, o que alterou radicalmente a estratégia de Aloísio Mendes, pois significará que os dois serão rebatidos no ato. 

Tiago Bardal e Ney Anderson dizem ter elementos que provariam as tais escutas clandestinas feitas pela Polícia por ordem de Jefferson Portela, que nega peremptoriamente e os acusa de se articularem com Aloísio Mendes para tentarem se safar do processo envolvendo o escândalo do contrabando.

O caso envolve um confronto particular entre o secretário Jefferson Portela e o ex-secretário e atual deputado federal Aloísio Mendes, que chegaram ao cargo por caminhos muito diferentes.

Jefferson Portela é advogado e delegado de carreira, com militância política na esquerda desde o movimento estudantil, integrando a corrente a que pertenceram Flávio Dino e Márcio Jerry. É reconhecido como um policial sério, correto e eficiente, mas de temperamento explosivo, que teve a primeira experiência no comando da pasta no Governo Jackson Lago (PDT), entre 2007 e 2009, voltando ao cargo em 2015 por convocação do governador Flávio Dino. É conhecido por não ter “papa” na língua e pelo desassombro e firmeza com que vem comandando a pasta.

Aloísio Mendes é agente da Polícia Federal, fez parte da equipe de assessores do ex-presidente José Sarney (MDB), tendo, na função, criado laços fortes com a família Sarney, tendo sido escalado para assessorar o então secretário de Segurança Pública Raimundo Cutrim, de quem recebeu a tarefa de montar o Grupo de Operações Especiais e o Grupo Tático Aéreo. Assumiu a Secretaria de Segurança Pública em 2010 em substituição a Raimundo Cutrim, de quem se tornou desafeto por ter sido incluído na lista de suspeitos de mandar assassinar o jornalista Décio Sá. 

Deixou o cargo em 2014 para se candidatar a deputado federal, tendo sido eleito como uma das grandes surpresas do pleito.
Em entrevista recente à rádio Mais FM, ao ser indagado sobre os tais grampos e sobre a ida à Câmara Federal, Jefferson Portela disse que a acusação é uma trama armada por Tiago Bardal e Ney Anderson, avisando que “entraram errado”, porque “bandido não me intimida”. 

E referindo-se a Aloísio Mendes, disparou: “Ele   aparece abraçando criminosos e dando total crédito a esta história de interceptações. Será que ele é um analfabeto na condição de policial? Ele sabe que a interceptação só é implantada com a ordem de um juiz. A operadora não implanta com ofício de oficial. Se ele fala de interceptação ilegal ele deve saber algo sobre isso. Na nossa gestão, somente dentro da lei”. E lembrou que Aloísio Mendes “fugiu covardemente” de um debate que marcou com ele na rádio Mirante AM. “Eu espero que ele tenha coragem de homem de escutar tudo que eu tenho para dizer, olho no olho, para ele”, completou.

Aloísio Mendes reagiu com um a ameaça explícita: chamou   Jefferson Portela de “bufão desequilibrado” e disse que se   desrespeitá-lo durante o depoimento na Câmara Federal, pedirá sua prisão. Quem conhece Jefferson Portela tem certeza de que ele não deixará pedra sobre pedra se vier a depor em Brasília. Quem conhece Aloísio Mendes suspeita que ele tentará cumprir   a ameaça de prisão.

 Vale aguardar principalmente pelo que será dito na oitiva, que ainda não tem data marcada.

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Traduzido Por: Luzimar Rodrigues